sábado, 9 de julho de 2011

Flip é maratona de 5ª categoria

Xico Sá: bovinidade ululante em festa literária.
Lá se vai a nona edição da Feira Literária de Paraty (Flip) e fica sempre aquela impressão de que o evento, afinal, não passa de uma maratona suburbana, cujo queniano convidado não frequenta o ranking, nasceu no Zaire e naturalizou-se alemão. Sim, há exceções que confirmam a regra, mas em sua maioria os convidados ilustres na feira são escritores decadentes, incríveis artistas e seus maravilhosos projetos literários que resultam em livro nenhum e deslumbrados tupiniquins (cachecol, blazer com remendo de couro nos cotovelos e bottom do Greenpeace) . Não por acaso, João Ubaldo Ribeiro foi dar na Flip, de cara limpa – pois já não bebe há algum tempo –, com um bocejo aristotélico: ‘Encaro com enorme tédio papo de literatura’. Ainda mais quando os literatos fazem aquele ‘L’ de sabedoria que fez a fama de peça publicitária do Estadão. Sim, está faltando conteúdo.
João Ubaldo boicotou a feira, em 2004, por considerar que ela estava privilegiando os estrangeiros e os autores da Companhia das Letras. Agora surge com aquele jeitão de quem não liga a mínima. Aposto que se ainda bebesse nem se daria ao trabalho.
Reportagem da Folha.com, neste sábado (9), relatou conversa entre os cronistas Antônio Prata e Xico Sá. O tema era ‘A mulher no observatório do cronista’ (atenção para o ‘L’). O repórter empolgado registrou: ‘havia gente pendurada até no lustre’. Desculpe, mas a licença poética não cabe. Ainda mais quando peca pela bovinidade ululante.
A certa altura, Prata – colunista da Folha – diz que o politicamente incorreto no Brasil tem o significado de um ‘senhorzinho de engenho’. Por essa razão, prefere não se arriscar. Procura fazer sempre uma espécie de ‘autorregulamentação’ ao escrever. Please, um ‘L’.
Xico Sá – colunista da Folha – debocha das crônicas de Rubem Braga e conta vantagem ao afirmar que prefere trocar o ‘sabiá’ de Braga pela mulher que ‘canta mais e geme mais’. Please, outro ‘L’.
Sá faz o estilo descolado na Folha de S. Paulo. Escreveu livros com títulos bacaninhas como ‘Chabadabá’ e ‘Modos de Macho & Modinhas de Fêmea’ e dá a entender que ‘comeu todas’. Se com a palmita de la mano, ninguém sabe.
No blog que leva o seu nome, faz um roteiro etílico da Flip e, quando resolve falar de literatura (nem precisava) diz que João Ubaldo Ribeiro é a grande atração da festa. Bovinidade ululante.
O maior escritor brasileiro da atualidade? Sá informa: trata-se de Bruno Azevêdo, um maranhense que editou o livro ‘O Monstro Souza’ às próprias custas. Com 5.836 editoras espalhadas pelo Brasil (número fictício), é mesmo um prosaico heroísmo publicar um livro no estilo artesanal. Santo Moribundo de Fogo, Batman!
Mas o descolado Xico de Sá, cuja mórbida semelhança com Fabrício Carpinejar não é mera coincidência, vai ainda mais longe. Ao ser questionado se um cronista polêmico e politicamente incorreto como Paulo Francis caberia no Brasil de hoje, ele diz que não. E acrescenta que anda muito preocupado com os ‘derivativos’ do jornalista, morto em 1997.
Hmmmmm. Em se tratando de uma Flip, cujo homenageado é o iconoclasta Oswald de Andrade, soa esquisito. Mas Xico Sá, vale lembrar, quer ‘comer todas’. Por isso trata de quebrar e remendar no mesmo estilo de quem morde e assopra. Afinal, ele quer manter a sua fama de mau. O que isso quer dizer? Absolutamente nada. Melhor beber.

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